The Founder | Filme não ameniza nos julgamentos ao “criador” do McDonalds

Drama Reviews Slide
8

Ótimo

“The Founder” – 2017
Diretor: John Lee Hancock
Roteiro: Robert D. Siegel
Elenco: Michael Keaton, Nick Offerman, John Carrol Lynch, Linda Cardellini, B.J.Novak, Laura Dern

Michael Keaton tem engatado bons/ótimos trabalhos desde 2014 com Birdman. O ator americano, que nunca foi aclamado por público e crítica em seus trabalhos, parece ter caído nas graças dos diretores e os papeis para quais é escalado se encaixam no perfil bonachão que o ator nunca fez questão de disfarçar. Hoje é fato: Keaton é um ator da primeira prateleira do cinema mundial.

Michael Keaton é Ray Kroc, o homem que roubou parte da ideia dos irmãos McDonald

Em The Founder (Fome de Poder – 2017) – que se passa em 1954 – Michael Keaton é Ray Kroc, um vendedor de peças para lanchonetes  que de tempos em tempos tem ideias mirabolantes em busca da vida abundante que sempre sonhou. Cansado da mesmice de sua vida profissional, Kroc conhece através do seu trabalho Dick McDonald (Nick Offerman) e Mac McDonald (John Carrol Lynch), dois empreendedores do ramo alimentício que apostaram no formato fast food. Através da dupla de irmãos, Kroc vê uma ótima oportunidade de alcançar seus intentos.

Parece que o cinema não alivia na biografia dos grandes gênios da humanidade. Foi assim com Mark Zuckerberg em A Rede Social, com Steve Jobs em Jobs ou com qualquer outro que sem escrúpulos procura realizar seus sonhos. Com Kroc não foi diferente. Ambicioso e sonhador, o personagem de Keaton tem de “positivo” a persistência e a ambição. Foi na brecha do comodismo dos irmãos McDonald, que Ray pensa alto e transforma a rede de fast food em um dos maiores impérios do mundo.

Mac (Lynch) e Dick (Offerman), os verdadeiros criadores do conceito de fast-food

The Founder tem uma doçura muito pertinente à ingenuidade dos anos 50. Não dos personagens, mas da vida onde as descobertas mais primárias podiam causar grandes transformações. O diretor John Lee Hancock (de filmes esporádicos como Walt nos Bastidores de Mary Poppins), percebe-se, não interfere muito na atuação de Keaton, que com muita confiança, tanto passa as angústias de alguém que já cansou de fazer planos e virar piada, como alguém que está caminhando e aprendendo na estrada do empreendedorismo a como erguer um império. As cenas fazem recortes muito reais da vida do fundador do McDonalds, embora economize bastante nas participações no elenco: tirando Keaton e Laura Dern (que faz Ethel, a primeira esposa de Kroc) e os irmãos McDonald, os núcleos não se revezam, o que faz pensar que existe um rico material extra nas filmagens de The Founder.

Uma sutileza bastante apreciável na maneira como Hancock deixa livre sua produção é na forma que  ele nos “coloca” ao lado de Dick e Mac em alguns momentos, fazendo com que a figura de Ray torne-se antipática e arrogante, o que de fato não é exagero, mas ao ver as personagens de Offerman e Lynch um certo ar de misericórdia se espalha pela película e ambos conseguem passar toda a ingenuidade de precursores de um negócio que os tornaria milionários.

Kroc (Keaton) pede o divórcio para Ethel (Dern)

Mais uma vez Michael Keaton entrega (usando o verbo da moda) uma atuação bastante correta e sem exageros. Não duvido que poderia estar (mais uma vez) entre os selecionados a uma estatueta caso o filme não estreasse nos EUA apenas em março, em data posterior ao evento. The Founder passa macio, não deixa feridos e faz você pensar se na vida vale tudo para conseguir vencer. Segundo alguns milionários, sim.

Good

  • Michael Keaton com muita classe e elegância em um papel ambíguo
  • Direção precisa e pouco interferente na produção
  • Filme conta a história com doçura e simplicidade

Bad

  • Elenco reduzido e pouco explorado

Summary

Mais uma vez Michael Keaton está acima da média para um papel difícil. The Founder é mais uma exemplo de biografia que negociou valores para realizar seus sonhos
8

Ótimo

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