Novos produtos da TV aberta americana não empolgam e monopólio pode se fortalecer nos próximos anos

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Já disse em algumas ocasiões que a quantidade de remakes, reboots, spin-offs e produtos derivados das séries americanas demonstravam uma tremenda falta de criatividade dos roteiristas. Curioso que há pouco tempo atrás, séries com roteiros intrigantes explodiam na TV aberta americana e empolgavam seus fãs ao redor do mundo.

LOST, 24 Horas, Dexter, Prison Break, House M.D, Fringe, Everybody Hates Chris… essas séries conviveram na mesma época e desafiaram o sono de seriemaníacos. Isso sem contar a melhor qualidade dos sitcoms; as comédias viviam uma melhor fase. Modern Family estava chegando de mansinho, Veep ainda era uma novidade e How I Met Your Mother continuava de vento em pompa.

O que aconteceu nos últimos anos?

O fortalecimento dos que já eram bastante robustos: HBO mesmo não tendo explodido com Boardwalk Empire – série de sofisticação e classe e que trazia Steve Buscemi como protagonista e um excelente Michael Shannon como um imponente e controverso agente federal – já tinha uma forte assinatura na qualidade das suas produções sendo conhecido como o canal com séries de forte apelo popular unida a investimentos pesados. A AMC trouxe ao mundo sua galinha dos ovos de ouro: The Walking Dead – mesmo sendo recentemente muito criticada – a série além de ser uma das maiores audiências dos EUA, arrecada uma fortuna em produtos licenciados; além do tema (apocalipse zumbi) ter se tornado recorrente nos debates universitários.

O capítulo Netflix merece um parágrafo à parte: tímida quando chegou ao Brasil, o canal por streaming não apenas melhorou (e muito) seu catálogo, como resolveu investir em suas próprias produções. O resultado foi fantástico: House of Cards, Orange Is The New Black, Better Call Saul, Sense 8… a Netflix virou uma paixão mundial e confirmou que era possível ter qualidade de entretenimento com custo baixo sob alto benefício.

Tirando Shondaland e seus sub-produtos, os canais abertos colecionam séries que são canceladas aos borbotões e pouquíssimas são os shows que estão fora da curva. Roteiros ruins, produções capengas. Chegam a ser vexatórias as abordagens na TV. Qual é o resultado disso ? Investir no que um dia já deu certo. Não se surpreenda se falarem em séries que tiveram finais insatisfatórios como LOST e Dexter voltem para acertar contas com a audiência.

Quando a CBS diz que Young Sheldon dá “ok” para produção do piloto estamos falando de uma bolha criativa. Que The Big Bang Theory quando vai ao ar na TV americana já chega com o jogo ganho, todos já sabem, mas apostar que Sheldon Cooper venha garantir uma geração de fãs adolescentes para contar sua “interessante” vida aos 9 anos, é um pouco demais.

O amigo Michel Arouca, CEO do site Seriemaníacos fez em seu canal no Youtube uma correta e simples abordagem sobre essa crise na criatividade dos roteiristas americanos:

As políticas da TV fechada já possuem problemas sérios, problemas estes sempre questionados por seus assinantes como preço e a repetição das programações. Talvez se preparando para uma migração massiva para uma plataforma mais flexível, a HBO já investe para que sua programação esteja disponível para seus inscritos FORA da TV. A Netflix ganhou a concorrência da Amazon, mas me parece que essa briga ainda está longe de ficar “boa”. Em suma, pode ser que não seja “hoje” ou “amanhã”, mas os canais precisam de mudanças profundas no seu conteúdo para que possam oferecer seriados de qualidade artística menos questionáveis e os outros problemas estruturais não colaborem para uma derrocada da audiência.

Escriba de dia, de tarde e de noite e, quando não falta mais nada, observador da vida e da arte, não necessariamente na mesma ordem.
  • Val Carnaval

    Ótimo texto.
    Realmente falta muita criatividade. A quantidade de novas produções é gigante, mas pouca coisa se salva.
    Porem, não acho que ressuscitar sucessos antigos seja a solução. Raras as que dão certo (ou que me agradam).

    • Pois é, Val. Vivemos uma época muito ruim. Torçamos por melhores produções. Um grande abraço.

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