Mundo colorido e espiritual de “American Gods” não cativa no episódio piloto

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Razoável

Sem dúvida alguma “American Gods” (Starz) estava na lista das atrações mais esperadas pelos amantes de séries no mundo todo. Desta vez a turba era maior em função de trazer a companhia dos fãs do livro homônimo escrito pelo autor Neil Gaiman. Sem contar a presença de Bryan Fuller (Hannibal) e Michael Green (Everwood), os responsáveis por levar o ambicioso livro de Gaiman para o formato da TV.

Em “The Bone Orchard” – episódio piloto – somos apresentados a Shadow Moon (Ricky Whittle), personagem que está saindo da prisão e que recebe a notícia poucas horas antes de ganhar sua liberdade de que sua mulher, Laura (Emily Browning) morreu em um acidente de carro, que também vitimou seu melhor amigo. Enquanto se dirige para o enterro de sua esposa, Moon se depara com Wednesday (Ian McShane), um homem misterioso que lhe faz o convite de trabalhar para ele. São pouco mais de 60 minutos que inclui, um velório, um convite e algumas “viagens”.

The Bone Orchard cabia em 40 minutos facilmente.

Existe uma presunção durante o piloto por acreditar que seu público está interessado em uma linguagem muito elaboradora e rebuscada. Por isso, os diálogos – apesar de interessantes – perdem parte da força pela maneira “pseudo filosófica” com que vai invadindo o episódio. Certamente o diretor David Slade teve como base a metalinguagem utilizada no best-seller que deu origem à série, mas talvez tenha que se preocupar (em breve) em optar por uma abordagem mais direta e menos visual, pois abusou dos recursos que está à disposição da equipe técnica ao contar a história com muitas cores, especialmente o “vermelho sangue”.

O maior problema de “American Gods” além de um texto confuso em um primeiro momento é o ator Ricky Whittle. Fraco, não consegue esboçar mínimas reações para os eventos as quais esteve envolvido; desde a morte da esposa até a briga com um duende dentro de um bar. Tudo encenado de maneira fria, indolente e sem o peso que o livro – meio metido à besta – tenta retratar. Afinal de contas a ideia é a relação divina entre deuses (de qualquer era) e homens e não cenas de combate sanguinárias com slow motions em profusão.

Nem Ian McShane salva piloto

Quando pensamos que o piloto seria a maior decepção do ano até aqui, Audrey – vivida pela atriz Betty Gilpin – garante boas cenas dramáticas através do desespero da sua personagem. As circunstâncias nas quais sua melhor amiga morreu divide os sentimentos da moça que tem crises após o enterro, protagonizando uma boa cena. Pouco, especialmente se você pensar que a participação da atriz será resumida a dois episódios, mas foi o que de mais intenso (cenicamente falando) ocorreu no episódio. Nem o personagem misterioso de McShane, ator experiente e de boa dinâmica, faz com que o interesse possa crescer pela história e o roteiro de “American Gods” está longe de ser ruim.

Roteiro é perfeito, mas a abordagem é exagerada

A proposta de atualizar embates divinos trazendo para o presente ídolos e deuses de “todos os tempos” é interessante e quase “moderna” se pensarmos o caminho que a TV americana está contando suas histórias, mas as escolhas de Slade para que isso chegue até às telas esbarra numa estética de “filme de arte” em detrimento ao texto, tesouro proveniente do livro que faz bastante sucesso desde quando foi lançado em 2001.

Muitos confundem que a grandiloquência literária de uma obra possa ser suficiente para que a adaptação para TV tenha exatamente o mesmo tom: grandioso, imponente e magistral. Isso ocorrerá se a proposta de atuação estiver em primeiro plano e isso não acontece, ao menos no episódio piloto. Portanto o prognóstico de que “American Gods” seria o novo “Game of Thrones” da TV americana está muito longe de estar correto. Muitas mortes não são suficientes para colocar a série no patamar do seriado da HBO.

Observação: ainda não entendi a participação da Bilquis (Yetide Badaki)no episódio. Embora de bastante impacto, achei a cena bastante preocupada em mostrar mas com pouquíssimo a dizer. Possivelmente será explicada nos próximos oito episódios da primeira temporada.

Good

  • Projeto ousado do canal Starz
  • Mais uma adaptação literária de grande sucesso para TV

Bad

  • Fotografia exuberante esconde proposta textual
  • Elenco irregular
  • Episódio piloto em alguns momentos cansativos

Summary

A mídia especializada, antes da estreia de American Gods, a comparava com a já consagrada série da HBO, Game of Thrones. Após o piloto, comparações desta natureza morrem após 1 hora de exibição da série do canal Startz.
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