“Mulher-Maravilha”, entre poucos erros e muitos acertos, pode ser referência para o que a DC Comics quer no cinema

Aventura Reviews Slide
7

Bom

“Wonder Woman” – 2017
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Zack Snyder, Allan Heinberg e Jason Fuchs
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Elena Anaya, Lucy Davis, Danny Huston, David Thewlis

A personagem de Diana não é uma personagem fácil. A Warner demorou para achar o formato que desejava para levar a vida da heroína para telona. Mesmo que tenha enfrentado algumas críticas sobre a escolha de Gal Gadot, como a amazona que faz parte da Liga da Justiça, após a exibição de “Mulher-Maravilha” fica bastante claro que um bom filme saiu do papel.

No entanto, se a produção acerta em entregar uma boa história para sua audiência, comete erros que – se não são iguais – são próximos aos cometidos nas produções anteriores, aquelas que já estão “linkados” para conta a história da Liga da Justiça. Porém, vamos aos acertos.

“Mulher-Maravilha” é um filme preocupado com em contar a origem da heroína, que precocemente já demonstra enorme desejo de lutar, especialmente para trazer paz aos de sua espécie. Mesmo que o reino de Themyscira seja revelado de maneira superficial, a beleza da fotografia das cenas iniciais chama bastante atenção. Assim como as atuações de Robin Wright, vivendo Antiope e Connie Nielson, como a mãe de Diana, a rainha Hyppolyta, que mesmo econômicas, conferem charme e talento nos momentos em que contracenam.

Quando o espião das Forças Britânicas, Steve Trevor (Chris Pine), escapa de uma perseguição dos alemães, em plena ebulição de uma guerra, Diana tem oportunidade de exterminar definitivamente da terra, o Deus da Guerra, Ares, a quem responsabiliza pela batalhas que ainda consomem a raça humana.

Talvez de todos os filmes produzidos recentemente, “Mulher-Maravilha” tenha o primeiro terço mais “perfeito” de todos os filmes, pela opção da diretora Patty Jenkins em não cometer firulas no desenvolvimento do roteiro enxuto de Zack Snyder e Allan Heinberg. Exceção seja feita, pelo número abusivo de cortes em “slow motion”, recurso que deveria ser utilizado para dar um toque especial. Ao todo, desde o início até o fim, o efeito chegou quase a ser banalizado.

Contudo o filme é divertido, com bom elenco e um belíssimo incentivo para que Warner e DC sigam na tentativa de fazerem filmes com boas histórias e excelentes personagens.

Romance com teor erótico e algumas contradições

O relacionamento que Trevor e Diana irão desenvolver em curto prazo contradiz algumas questões da personagem; se em alguns momentos a Princesa das Amazonas demonstra conhecer profundamente os habitantes da Terra incluindo seus hábitos de procriação, em outros parece ingênua na maneira como acredita que trará paz para os habitantes do planeta. Surpresa foi a quantidade de cenas de leve, mas de muita sensualidade, propiciando inclusive o entendimento de que tiveram uma singular noite de amor.

Tal enlace quase prejudica o filme já que a personagem, em seus tratos conhecidos, não tem um perfil romanceado. Neste ponto, os puristas que guardam o cânone mais ortodoxo da Mulher-Maravilha, poderão torcer o nariz mais de uma vez durante a exibição, mas, enfaticamente, ele não foi o responsável por prejudicar o desenvolvimento da trama.

Primeira Guerra Mundial e os discursos da vilania

No mínimo audacioso levar Diana para o combate de uma guerra onde ela mesmo não havia escolhido lado: ela não é britânica e muito menos alemã, mas o “namorado” e a suspeita de que Ares estaria incorporado ao inimigo-mor da ilha da Rainha, fizeram com que Gal Gadot protagonizasse boas cenas de combate e luta. Os problemas destes conflitos é a total falta de suspiro e emoção. A luta está tão coreografada, que quem assiste não se vê surpreendido por nada do que irá acontecer. Culpa dos trailers? Também, mas a frieza e o uso abusivo de tecnologia para fazer as cenas de luta, tiram qualquer momento de êxtase e há uma quantidade significativa de embates que poderiam ter levado à produção para um lugar mais elogioso.

No entanto, o que surpreende mesmo é o discurso final de Ares ao se isentar das escolhas que a humanidade faz para se manter em conflito, uma referência cristalina ao personagem de Al Pacino, John Milton, em “Advogado do Diabo”, filme que completa exatos 20 anos que foi para telona. Menções ideológicas da presença do mal, não como atuante na cena, mas como influenciador da maldade na Terra; uma retórica presente desde às manifestações artísticas (como as do cinema), como na religião.

Alívio cômico e conclusão sem foco, mas enfim um filme

Um filme bom deixa qualquer um querendo saber o que vem depois, mas infelizmente “Mulher-Maravilha” teve um objetivo tão claro (contar a origem) que parece ter dito, sublinarmente ao público: “ok, pessoal, acabou, no final do ano tem mais“. O antagonista, que só tem peso no nome, não deixou dúvida alguma de que sairia derrotado mesmo que os motivos alegados pela moça, sejam além de piegas, dignos dos “Titanic” da vida. Contudo o filme é divertido, com bom elenco e um belíssimo incentivo para que Warner e DC sigam na tentativa de fazerem filmes com boas histórias e excelentes personagens.

Good

  • Bom roteiro e desenvolvido com leveza
  • Elenco dinâmico e afiado
  • Boa fotografia nas sequências iniciais

Bad

  • Excesso de efeitos especiais
  • Romance superficial e erótico entre protagonistas
  • Vilania aquém dos seus próprios objetivos
  • Ritmo feito para engatar sequência

Summary

"Mulher-Maravilha" tem bons predicados em toda a sua produção, mas peca pela frieza nos combates e pelo romance um pouco distante do universo "real" da personagem
7

Bom

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