Internet ainda não tem força de substituir a TV

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A notícia de que SBT, Record e Rede TV não estariam mais disponíveis para assinantes de TV a cabo a partir do dia 29 (quarta-feira),  pegou muita gente de surpresa. Na verdade essa negociação entre as emissoras e as operadoras por melhores valores para os canais abertos, acontece a cada renovação de contrato. Normalmente essas tratativas ocorrem de maneira sigilosa, não envolvendo o consumidor. Em suma: via de regra isso não vira pauta dos sites. A boa notícia é que normalmente a crise se resolve – pelo menos por um ano – e tudo volta ao normal, com assinantes tendo seus canais preferidos (uma certa incoerência, não?) na sua grade fechada.

Os consumidores de conteúdo com idade entre 15-25 anos talvez já não se importem com a possibilidade de perderem o programa do Ratinho, o talk show da Luciana Gimenez ou mesmo a nova novela bíblica da Record, mas aqueles que normalmente pagam por este luxo, ainda fazem questão de acompanharem esses canais. Uma boa pista de que a internet ainda não ganhou status de insubstituível foi o furdúncio causado pelas emissoras, pressionando as operadoras através de sua audiência.

Não podemos negar no entanto que a força da internet de “entretenimento” nunca esteve tão bem, obrigado. Os youtubers, por exemplo, se tornaram figuras populares, mas que ainda não são conhecidos por uma população mais velha. Nomes como Cauê Moura, Felipe Neto, Pathy dos Reis, Whinderson Nunes e tantos outros influenciadores digitais ainda passam longe da memória daqueles que ainda veneram Miguel Falabella, Tony Ramos, William Bonner e tantas outras celebridades televisivas. A TV chega aos recantos mais longínquos do país, enquanto a internet capenga com seus planos 2G/3G em alguns estados carentes. Se nomes como Marcelo Adnet e Fábio Porchat ainda não são tão reconhecidos, mesmo ocupando horário nobre na TV, que dirá aqueles que engatam seus projetos com linguagem cheias de estrangeirismos e apegados a efemeridade do presente!

Se os smartphones certamente já representam a maior fonte de entretenimento do brasileiro, os canais abertos com suas atrações populares, logo estão tratando de se tornaram onipresentes, tanto é verdade que passaram a investir em conteúdo para essas plataformas, com o objetivo de não perderem de vista sua audiência conquistada através de anos. Ainda não engatou (perde para os milhões de compartilhamento amadores via Whatsapp), mas quer entrar na onda do “veja onde quiser/a hora que quiser”.

É minha gente, Raul Gil, Silvio Santos, Eliana, Sabrina Sato, Luciana Gimenez, Marcelo Rezende e tantos outros televisivos ainda estão em primeiro lugar no coração de milhões de brasileiros e esse paixão está longe de terminar. Não importam as inovações que a internet possa promover e os talentos incríveis que possa revelar.

Escriba de dia, de tarde e de noite e, quando não falta mais nada, observador da vida e da arte, não necessariamente na mesma ordem.

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