FOX erra ao trazer “24 Horas” e acaba queimando legado de Jack Bauer

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Pior do que reprisar uma intenção, é fazer a reprise da pior maneira possível. Foi este o resultado do remake/reboot sei lá o quê que a FOX planejou com 24: Legacy, trazendo pra telinha um elenco muito fraco, um roteiro ruim e nenhuma sensação de perda ao final das 12 horas da nova temporada.

A história de Eric Carter (Corey Hawkins) não convenceu o público desde a primeira hora. Com o olhar cerrado e uma seriedade de meia-tigela, Carter não caiu nas graças da audiência como soldado de elite chefiado pela boa atriz Miranda Otto no papel da quase aposentada gerente da CTU Rebecca Ingram. As premissas sob o despertar de células terroristas em território americano, mexia com ingredientes já misturados na série clássica, mas sem os classudos textos e atuações. Sem contar, que a maior marca do programa – a sincronicidade do tempo – foi jogada para debaixo do tapete, como se nós fôssemos otários. Deslocamentos que levariam no mínimo 30 minutos, aconteciam em 5 e assim por diante. Os núcleos contavam com o irmão de Carter, Isaac (Ashley Thomas), péssimo na tentativa de criar um triângulo amoroso insípido e a esposa Nicole (Anna Diop), que conseguiu ficar 12 episódios sem chorando. Fora um gerente de CTU inseguro, analistas de sistemas mais parecidos com mágicos do que profissionais de informática, a volta de um personagem sem qualquer carisma (Tony Almeida) e um drama de baixo calibre. O último episódio foi para lá de baixo astral e deu indícios de uma continuação, aumentando o sofrimento de quem achou a série terrível.

Já falamos aqui no PipocaTV sobre a falta de criatividade dos roteiristas americanos apelando para ressurreição de séries que já tiveram seu lugar na história. Nem a Netflix escapou desta atitude infrutífera ao homenagear uma série como Gilmore Girls, apenas uma atração mediana que atingiu um público saudosista e inconformado com o fim de um dos seus programas preferidos. Ou as pessoas se acostumam com o fim das coisas ou viveremos em um looping de reciclagens, que não acrescentam nada ao velho e novo público.

O piloto de Lethal Weapon  – também da FOX – (uma versão para TV do filme Máquina Mortífera) já foi uma prova contundente de como é possível destruir um nome vitorioso da década de 90. Foi a franquia do cinema que colocou o hoje sessentão Mel Gibson na crista da onda, com filmes que uniam ação e diversão e muitas explosões, um dos estereótipos das produções americanas. Hoje, soaria datado e talvez por isso não merecesse nenhum tipo de re-criação, seja no cinema ou na TV.

Jack Bauer é mais importante para cultura pop do que Martin Riggs, personagem de Gibson. Seus métodos de tortura e “convencimento”, por exemplo, ficaram tão famosos, que terroristas replicaram seu modus operandi diante de adversários e espiões. Até este papel, Kiefer Sutherland (hoje na série Designated Survivor) vinha fazendo filmes “made for tv” e pequenos papeis em série. Jack Bauer transformou Sutherland em vencedor de Emmy e Globo de Ouro, uma honraria distinta para o tipo de produção que 24 Horas possuía.

Pode doer um pouco para o fã, mas o melhor conselho para quem sentir saudades é comprar os boxes das séries ou rever tudo que tiver disponível no catálogo da Netflix, porque se for pra continuar um trabalho de qualidade com preguiça e mediocridade, é melhor que o passado seja honrado apenas pela lembrança.

Observação: o frenesi da vez é Prison Break, a qual abordamos neste texto. Vamos ver se ao final da temporada, o fogo do início será ardente quanto as chamas do final.

 

Escriba de dia, de tarde e de noite e, quando não falta mais nada, observador da vida e da arte, não necessariamente na mesma ordem.

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