Em Ritmo de Fuga | Uma obra superestimada em uma direção divertida e moderna de Edgar Wright

Ação Filmes Reviews Slide
6.5

Razoável

Baby Driver não é sobre um bebê que sabe dirigir. Apesar que se fosse, seria talvez mais engraçado e valioso.

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)
Direção: Edgar Wright
Roteiro: Edgar Wright
Elenco: Ansel Elgort, Lily James, Jon Bernthal, Jon Hamm, Jamie Foxx, Kevin Spacey

 

Vivemos em uma época tão escassa de filmes de alto nível, que muitos medianos acabam se tornando obras de arte. Talvez, Em Ritmo de Fuga seja o superestimado da vez.

Quando vi o trailer de Em Ritmo de Fuga pela primeira vez, o que mais me chamou atenção foi a aparição do ator Kevin Spacey. Depois de House Of Cards seus papéis mostram uma imponência do ator que sempre o deixará em destaque mesmo como coadjuvante.

Diversão garantida com bastante ação e adrenalina para quem curte perseguição em um estilo Velozes e Furiosos com direito a trilha sonora de qualidade e uma direção inteligente e moderna de Edgar Wright. Tudo muito bom e bonito até chegarmos no roteiro.

Pra quem ainda não sabe do que se trata o filme, Baby, vivido por Ansel Elgort trabalha para uma gangue de criminosos e usa o seu dom de dirigir velozmente sem ser pego mas ele tem uma mania curiosa: ele precisa ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância.

Por onde eu olho na internet, sites de críticas, IMDB e Rotten Tomatoes, Youtube e vários outros, é praticamente unânime a aprovação ovacionada de Em Ritmo de Fuga.
Eu tenho que dizer, Edgar Wright tem uma legião de fãs de carteirinha garantida pra sua carreira.

O que eu muito procurei e não encontrei em outras críticas e reviews, foram pontos relacionados ao roteiro que ao meu ver é bastante raso, tem um romance que não funciona e um desfecho desarrumado e forçado.

Edgar Wright tem a preocupação e a perspicácia de controlar e adequar a trilha sonora com os momentos certos para as cenas certas. O ator principal Ansel Elgort faz um trabalho aceitável como Baby e é sua história o melhor ponto do roteiro. Seu passado é carregado de tragédia e mistério e isso faz com que o personagem cresça durante o filme.

O problema fica com as coisas que acontecem ao redor de Baby. Seu romance com a garçonete Deborah, vivida por Lily James, simplesmente não convence pelo fato de que o amor entre os dois saiu do 0 ao 100% de um dia pro outro, mais rápido do que os drifts que o Baby faz no filme. No final temos uma garota que largou tudo pra trás pra fugir com um desconhecido que estava envolvido com uma gangue, assassinatos e andava armado fugindo da polícia. Pera aí!? Ela era só uma garçonete bonitinha e super simpática, certo? Na verdade não sabemos o porque das atitudes dela já que o roteiro não explora bem a personagem.

Kevin Spacey, como eu disse ali em cima, faz uma participação pontual e marcante porém seu desfecho é broxante. Enquanto Jamie Foxx e Jon Hamm funcionam bem como fugitivos malucos até o ponto em que se desequilibram tanto que a loucura passa a ser um excesso forçado.
Aliás, isso é o que define o final de Em Ritmo de Fuga, um desfecho broxante e forçado de um filme bem dirigido para o gênero de ação.

Se você for assistir Em Ritmo de Fuga à procura de diversão e ação, pode ir sem medo. Mas, se como eu, você se preocupa com o desenrolar do enredo e do desenvolvimento de todos os personagens, talvez você saia com uma pulga atrás da orelha e de olhar torto, enquanto seus amigos vão estar em êxtase por terem visto o suposto ‘melhor filme do ano’.
Pra mim, daqui uma semana eu provavelmente já esqueci quem é Baby Driver.

6.5

Razoável

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