Cinquenta Tons Mais Escuros | Nova direção não melhora franquia

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Ruim

A sexualidade sempre foi um tema polêmico e intrigante. Considerada como tabu por muitos, falar sobre sexo em pleno século XXI ainda é pisar em ovos. Existe toda uma questão com relação à sexualidade e ao que deve ou não ser mostrado. Cinquenta Tons Mais Escuros é o segundo filme erótico baseado na trilogia best-seller da autora E.L. James. Apesar de não agradar algumas pessoas e das inúmeras críticas negativas, é inegável o número de fãs. O primeiro filme rendeu uma bilheteria mundial de US$ 571 milhões e abriu caminho para uma continuação de sucesso, mas não se deixe enganar pelos números, quem busca no filme as mesmas passagens tórridas do livro vai se decepcionar. As cenas de sexo são ainda mais suavizadas do que no primeiro longa.

Foram inúmeros fatores que levaram Cinquenta Tons de Cinza a ser um dos filmes mais criticados de 2015. Seja pela falta de química do casal, ou pela direção capenga, o público volta às salas de cinema esperando ver ao menos a sensualidade que faltava no primeiro. Infelizmente não é isso que acontece. Com a incumbência de melhorar a imagem passada pelo seu antecessor, Cinquenta Tons Mais Escuros peca em novas situações.

O romance entre Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia Steele (Dakota Jhonson) chega em sua segunda parte com a promessa de desvendar alguns mistérios do passado conturbado do bilionário. O filme começa com a tentativa de aproximação de Grey, que quer se reconciliar com Anastasia. Assim como no segundo livro, o filme pretende mostrar o nascimento do namoro dos dois e as dificuldades que a relação enfrentará.

Alerta de spoiler!!! Se você quiser continuar a ler é por sua conta e risco!!!!

O erotismo é uma marca dos três livros, mas em Cinquenta Tons Mais Escuros ele aparece de forma mais branda do que no primeiro. A conquista e o jogo de sedução entram em segundo plano e o romance ganha enfoque. A ideia é construir e aprofundar a relação para além da situação de submissão/controle. Isso também é evidenciado no filme, onde descobrimos que o comportamento de Grey pode ser explicado por uma série de abusos sofridos no passado. Ainda criança ele teria visto sua mãe morrer por uma overdose de crack e na adolescência seria abusado pela amiga de sua mãe adotiva. Com isso E.L.James assume que os fetiches de Grey estariam justificados então por conta dessa bagagem traumática e não simplesmente por uma preferência sexual.

A mudança de direção de Sam Taylor Johnson, para James Foley (House of Cards) não ajuda a salvar a produção. Em alguns momentos a plateia chega a gargalhar de situações absurdas. O filme apresenta inúmeros problemas, sendo um dos mais gritantes o enredo. O longa parece uma novela mexicana, com excesso de dramatização por parte dos atores, cenas de bebidas jogadas no rosto, tapas mal coreografados e diálogos cafonas. Em um determinado momento Grey aparece em um helicóptero que sem alguma explicação começa a cair e no segundo seguinte ele surge “teletransportado” para sua casa. Esse e outros momentos dão humor a horas que pretendem mostrar tensão.

O filme vira uma confusão só. Os fãs que esperam a sensualidade prometida no trailer vão se decepcionar com a continuação. As cenas de sexo são insossas, em algumas Christian Grey transa sem tirar a calça jeans. Ao contrário do primeiro filme, em que ambos faziam jogo de olhares e descobriam os corpos um do outro usando acessórios variados, nesse, o sexo aparece como uma forma de acabar com algum desentendimento entre o casal. Os diálogos são soltos e sem emoção. O filme não prende a atenção. Não existe sensualidade e a falta de química entre os atores é gritante.

São poucos momentos que salvam o filme, como a cena em que o bilionário provoca Stelle no elevador. A fotografia não é de todo ruim, com cenas de muita placidez, como a que eles velejam com um cenário deslumbrante ao fundo. De resto o filme é bastante previsível e monótono em sua maioria. Cinquenta Tons de Cinza pode ter falhado na falta de erotismo, mas em Cinquenta Tons Mais Escuros não só se repetem os mesmos erros do predecessor como ainda vemos uma avalanche de clichés. Se você está procurando um filme de humor para assistir, essa é uma ótima opção. O suspense erótico prometido ficou nas páginas dos livros.

Confira o Trailer:

Good

  • Bela fotografia

Bad

  • Falta química entre os protagonistas
  • Direção capenga
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Ruim

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