Campanha por “Mulher-Maravilha” no Oscar expõe poder do dinheiro e falta de bom senso

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Dunkirk, novo filme de Christopher Nolan (leia aqui nossa crítica) chegou aos cinemas brasileiros neste final de semana se impondo como um dos melhores filmes do ano. Nolan, que não é unanimidade entre seus críticos, parece ter “cometido” sua obra prima e surge como candidato à várias premiações em 2018, já que o filme foi lançado ainda no verão americano.

Por isso, a notícia de que a Warner vai colocar uma grana para fazer lobby (substituído amistosamente por “campanha”) para que Mulher-Maravilha seja indicado como melhor filme e Patty Jenkins melhor diretora ao Oscar de 2018, acaba dedurando o quanto a indústria cinematográfica americana, por parte dos seus críticos, tem seu preço (mesmo que seja indireto) e que o evento se desgasta por capítulos pífios como este. Se não sabe sobre essa “bomba”, clique aqui e veja a notícia no site UOL.

Mesmo que essa prática seja comum, pouco interessa. Mulher-Maravilha não é o melhor filme de heroi deste ano, revelando os mesmos defeitos que o combo Warner/DC Comics apresentaram nas últimas produções. Leia aqui a nossa crítica. Essa manifestação financeira em torno do filme – que ganhou muito mais críticas positivas por uma suposta bandeira do tal empoderamento feminino no cinema do que por suas qualidades – não deveria ser a força motriz da produção. Os sites não cansam de, semana após semana, falar dos números dos filmes como se eles fossem suficientes para justificar o trabalho artístico. Os números consolidam que as pessoas gostaram do filme e isso, óbvio, também tem valor, mas ainda não é tudo.

Se a questão é o quanto Mulher-Maravilha – uma heroína de segunda prateleira – conseguiu conquistar uma boa audiência e retribuiu o dinheiro investido, que a FOX comece a trabalhar nos bastidores para que Logan se torne um pré-candidato ao Oscar. O filme quase impecável em seus aspectos técnicos cinematográficos, tem cargas emotivas pungentes e conclui a história (em tese) de um heroi que comove/impressiona audiências desde sua primeira aparição em X-Men em 2000. “Só” há quase 20 anos.

E quantos bons filmes de herois não foram feitos desde então: Deadpool, X-Men: First Class, Homem de Ferro 1 e 2, Capitão América: Soldado Invernal, Guardiões da Galáxia, Batman: Cavaleiro das Trevas… todos melhores do que o filme protagonizado por Gal Gadot. A hype em torno de Mulher-Maravilha não pode pautar o Oscar. Menos reverenciado, a premiação ainda está entre as mais respeitadas do planeta.

A indicação do filme seria – fácil fácil – um dos micos de 2018.

 

Escriba de dia, de tarde e de noite e, quando não falta mais nada, observador da vida e da arte, não necessariamente na mesma ordem.

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