A volta de Prison Break: as viagens do tempo chegaram à vida real

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Em 2007 numa era onde os torrents ainda não eram o meio mais eficaz de conseguir uma série americana (com legenda), eu dava meus primeiros passos para conseguir assistir ao episódio inédito de LOST sem esperar uma semana para que ele fosse exibido na TV fechada. Era um vício. Foi um vício. É um vício.

Os vídeos de maiores qualidades eram os de AVI (ou MP4, se você assim preferir), em média com pouco mais de 400 mega e que fazia a alegria quando estava disponível para download. Comprei um DVD da Phillips que “lia” o arquivo .avi e embutia a legenda junto. Coloquei na TV de 23” da LG e pronto: a festa estava completa.

Ainda um pouco antes disso ficava em um processo de muito trabalho com uma equipe que tinha um site próprio. Por volta de 2006, eu e uma galera muito inteligente e antenada, começamos a uparos episódios nos servidores, os famosos Rapidshare e Megaupload, para que no dia seguinte milhares de pessoas pudessem assistir os episódios de suas séries preferidas: LOST, House, Dexter, 24, Fringe, The Big Bang Theory, How I Met Your Mother, Gossip Girl e… Prison Break. Era mais ou menos assim…

Assim que o AVI tava liberado, baixávamos em algum site de torrent o episódio e ficávamos ligados na legenda em português ou a equipe dividia a responsabilidade de legendar. Eu encodava a legenda já pronta com o vídeo para que ele se transformasse em um vídeo menor, chamado RMVB e facilitasse a vida de quem tinha uma internet fraca. Quem tinha banda larga nesta época, tinha no máximo a grandeza de 5mb de internet.

As comunidades que falavam de séries já eram GIGANTESCAS. Nesta época os blogs cresceram, todos falando sobre suas séries favoritas, a concorrência era muito grande. Não havia gente falando de série no youtube e nem o interesse que existe atualmente.

Passados 10 anos, muita coisa mudou. A paixão em relação às séries dominou o mundo. A banda larga no Brasil – por incrível que pareça – deu um salto, ao menos nas grandes cidades e o acesso às mais diversas atrações do planeta passou a estar a um click de distância. Seja nos canais fechados, seja nos inúmeros sites de download ou nos canais de streaming, com um computador e uma internet de 10 mb, o internauta tem um centro de entretenimento bastante vasto a sua disposição.

Infelizmente as mudanças não trouxeram sucessos na mesma proporção. Em 2007, havia uma briga maiúscula entre séries de muita qualidade, mesmo nos canais abertos americanos. O sucesso de LOST e posteriormente a avalanche chamada Breaking Bad, só viria a se repetir com The Walking Dead e Game of Thrones, polarizando as opções de séries com produções milionárias e com resultados estratosféricos. Talvez a grande revolução se chame Netflix e a partir do momento que a empresa tomou as rédeas para produzir suas próprias atrações, até mesmo a relação entre a audiência e o produtor de conteúdo mudou bastante.

Embora a expectativa pelo retorno de Prison Break seja enorme (até às 11 da manhã de hoje, a série não saiu do TT desde o dia de ontem, 3 de abril), não acredito que a FOX entregue ao seu público nada melhor do que fez há alguns anos. Assim como foi terrível a continuação de 24 Horas com um “filhote” feio, onde roteiro e elenco estão procurando até hoje o caminho de casa. Mesmo assim, seu retorno causa um frenesi muito semelhante ao que ocorreu – por exemplo – com Gilmore Girls, mas que veio, passou e ninguém falou mais nada. O mesmo vale para os novos episódios de Arquivo X. Os números não foram bons e os episódios-homenagens fracos.

Essa “mania”, por assim dizer, de ressuscitar séries é uma questão para lá de paradoxal. Atrações como 13 Reasons Why e Stranger Things chegam com novos odores, dando provas de que é possível termos roteiros de qualidade sem recorrermos ao que já acabou. Por outro lado, pelo hype que causou, fica de certa forma comprovado, o fascínio que um “re” (remake, reboot) causa nos fãs que alimentaram suas paixões através destas atrações. Será que os números, tanto lá, como cá irão corresponder a tanta saudade? Amanhã saberemos.

Escriba de dia, de tarde e de noite e, quando não falta mais nada, observador da vida e da arte, não necessariamente na mesma ordem.

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