A Bela e A Fera | Informação sobre personagem gay é irrelevante para divulgação do filme

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Editorial

O clássico do conto de fadas “A Bela e A Fera” estreia sua versão cinematográfica no Brasil no próximo dia 16, sob a expectativa de tentar trazer a beleza da história repleta de valores pouco disseminados pelos politicamente corretos, como os sentimentos que unem pessoas pelas afinidades físicas ou pela beleza, cultuada e idolatrada neste século como o padrão que muitos deveriam adotar para suas próprias vidas. No entanto,  parece que vem mais barulho por aí.

A notícia de que na produção  INFANTIL existirá uma cena dedicada a um personagem (Le Fou) que tem dúvidas sobre os sentimentos que nutre por Gaston (vivido por Luke Evans), abre a discussão sobre a “publicidade” que trabalha as promoções dos filmes a partir da sexualidade dos seus personagens.

Certamente alguém há de pensar que nenhuma agência publicitária veiculou material focando na divulgação de “A Bela e A Fera” a partir desta informação, mas ninguém tem a ingenuidade de não acreditar que quando o diretor Bill Condon a poucos dias da estreia lança essa “bomba” na imprensa, não quer chamar atenção para seu filme. O problema não é a cena gay, nem o personagem e o que vai aparecer na tela, mas levantar bandeira de sexualidade, seja qual ela for, numa produção que eminentemente tem caráter infantil. O mesmo valeria – por exemplo – se numa produção com esta assinatura, houvesse um beijo entre crianças, como já aconteceu algumas vezes na história do cinema.

A maior bandeira de uma produção cinematográfica é sua história e não um recorte. A sinopse de um filme é que fará com que a dona de casa, o militar, o bancário ou o estudante, invista sua grana em pouco menos de 2 horas de exibição. Se durante a exibição a representatividade sexual dos personagens emergir, isso tem relação com os traços e camadas dos mesmos e não com a relevância das premissas; trocando em miúdos: não faz diferença alguma para audiência ter esta “importante” informação: fulano é gay, sicrano é hétero e assim por diante.

Isso demonstra uma tendência que a sociedade hoje está imersa: as estratégias comerciais querem mexer com o público antes que a experiência dele seja consumada durante e após o filme. Quando a questão envolve sexualidade dos personagens ela é mais controversa porque alimentará uma guerra totalmente desnecessária entre os que são e os que não são, sob algumas alegações, dentre elas, de que o público precisa ser informado de tais recortes. Qual a razão ? Se prevenir? Criar o preconceito mais do que gratuito por uma produção que nem chegou as vias da sua percepção ? Quem é que sai ganhando com isso? O público gay precisa ser informado de que haverá personagem hétero na história?

Se a ideia é fazer com que a sociedade – de uma maneira geral – aprenda a conviver com as diferenças – seja quais elas forem – está na hora de tornar a parte muito menos importante do que o todo e neste caso quando se fala em roteiro de cinema, sempre chegaremos à conclusões após o filme e não antes dele.

O PipocaTV não irá repercutir através dos seus colaboradores quaisquer notícias que de fato não sejam fundamentais para divulgação de uma produção cinematográfica, pois o que importa pra gente não é o lado que se está, mas se o filme é bom ou não. O clickbait* gratuito não nos interessa. Tem muito assunto interessante pra gente debater e saber se Le Fou irá beijar Gaston não está entre eles.

*Clickbait: recurso que procura aumentar a visibilidade de um texto, vídeo ou qualquer assunto publicado na internet. Normalmente trabalha com assuntos que estão em voga ou que se refira à pessoas conhecidas do público

Escriba de dia, de tarde e de noite e, quando não falta mais nada, observador da vida e da arte, não necessariamente na mesma ordem.

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