13 Reasons Why | Causas acima das razões

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8

Ótimo

Clay Jensen (Dylan Minnette) é um adolescente pacato e meio nerd que passa despercebido nos corredores da sua escola. Observando de perto a típica fauna das “high schools” americanas e suas diversas castas, ele passa os dias concentrado nos estudos e no trabalho num cinema da cidade. Até que um dia ele recebe na porta de sua casa uma caixa contendo 7 fitas K-7 e um mapa. Nessas fitas estão os 13 porquês que levaram Hannah Baker (Katherine Langford) a tirar sua vida, ou melhor, as 13 pessoas que deram as razões necessárias, incluindo o próprio Clay.  Agora munido da missão de escutar tudo até o final, Clay vai descobrir que o suicídio de Hannah é apenas o final de uma longa teia de mentiras e omissões que acontece no aparentemente tranquilo e perfeito ambiente escolar.

Misturando drama e mistério, a nova série da Netflix baseada no livro homônimo de Jay Asher e produzida por Selena Gomez, é uma obra que mexe diretamente com o temas espinhosos do cotidiano adolescente e que todo mundo faz questão de ignorar. É notória a existência de bullying, machismo, misoginia e preconceito nos ambientes escolares e isso é um fator decisivo não somente para o desenvolvimento social, mas também para o de caráter. Recompensar os malfeitores e renegar as vitimas ao ostracismo e a ridicularização é um dos principais motivos narrativos. O suicídio (décima causa de mortes no mundo) aqui é utilizado como o efeito de várias razões, mas essas razões não são importantes e sim suas causas. No velho jogo de causa e efeito é que reside o questionamento. O modelo utilizado foi o americano, mas a questão é universal, principalmente agora, com o clima social vigente em que o diferente é excluído e barbaridades são relegadas a atitudes impensadas ou “brincadeiras” inocentes.

Outro ponto nevrálgico da trama é o abismo existente entre pais e filhos. O distanciamento, tanto geracional quanto emocional, é um dos motores que levam a algumas das soluções encontradas pelos personagens. Há aqueles pais que dão suporte e afeição e ironicamente desvirtuam tudo isso com atos inescrupulosos. Outros tratam os filhos com uma sensação de propriedade ou apatia. E há aqueles que são tão ausentes que só são representados por fotos. A culpa não recai totalmente sobre os progenitores, já que os jovens também internalizam muitas coisas e prol da aparência e do status quo, coisa mais importantes do que a índole e a paz de espírito.

Se em termos de temática e narrativa a série se esmera, em termos de estrutura ela escorrega um pouco. Isso se deve em parte pelo elaborado trabalho de dispor a narração em off como um pano de fundo para o presente. Assim, enquanto alguns fatos casam perfeitamente com situações atuais na trama, outros são arrastados em vários episódios quando poderiam ser tratados em menos tempo. Pode também ser uma influência do formato existente no livro, com suas 13 fitas = 13 capítulos. Outro fator negativo é que (e mais uma vez culpa da obra base) algumas motivações e atitudes são bastante inverossímeis com a realidade do espectador médio do show, o que poderia inutilizar facilmente o destino de Hannah e mudar drasticamente a narrativa. Mas tudo totalmente compreensível na mente de uma pessoa traumatizada, como o fator “ação/reação” escolhido aqui.

A série é mais uma boa adição para o catálogo de originais da Netflix, que trata de temas pertinentes e atuais sem romantizar ou maquiar para se tornar acessível, preferindo expor a ferida corajosamente. Não é perfeita, mas acerta em vários pontos chaves, com potencial para discussão e educação para atitudes cada vez mais comuns, não só em escolas, mas nas ruas, nas empresas, na sua casa…

Good

  • Trilha Sonora
  • Filtros de cor para identificar passado e presente
  • Kate Walsh
  • Bom elenco jovem

Bad

  • Um pouco arrastada em alguns momentos
  • Algumas passagens soam inverossímeis

Summary

A série é mais uma boa adição para o catálogo de originais da Netflix, que trata de temas pertinentes e atuais sem romantizar ou maquiar para se tornar acessível, preferindo expor a ferida corajosamente.
8

Ótimo

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